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​🚨 BREAKING NEWS 2 | A Próxima Grande Queda? Por que a Bolha da IA pode ser o Estopim de uma Crise Pior que 2008

Carlos Carvalho

CARLOS CARVALHO

27 abr, 20265 min leitura
​🚨 BREAKING NEWS 2 | A Próxima Grande Queda? Por que a Bolha da IA pode ser o Estopim de uma Crise Pior que 2008

O economista José Kobori acende o sinal vermelho para o mercado global: o descolamento entre valor fictício e economia real atingiu um ponto de ruptura — e o epicentro está no Vale do Silício

Há uma pergunta que os grandes centros financeiros do mundo evitam formular em voz alta — não por falta de dados, mas porque a resposta implica consequências que ninguém quer precificar antes da hora. A pergunta é esta: o que acontece quando a maior aposta coletiva da história recente do capitalismo se revelar equivocada?

O economista José Kobori não tem medo de formular essa pergunta. E, mais do que isso, tem uma resposta tecnicamente fundamentada que desconforta tanto os entusiastas do Vale do Silício quanto os gestores de fundos que construíram suas teses de investimento sobre a promessa de uma revolução da Inteligência Artificial.


Em análise que vem repercutindo nos últimos meses — incluindo entrevista ao programa 20 Minutos, do Ópera Mundi, em dezembro de 2025 — Kobori afirmou que o mundo pode estar diante de uma nova crise financeira global, impulsionada pela formação de uma bolha em torno da inteligência artificial, pela elevada alavancagem das empresas, pelo endividamento dos Estados Unidos e por mudanças na política monetária do Japão. Os sinais, diz ele, lembram de forma perturbadora os momentos que antecederam as rupturas de 2001 e 2008.


O que uma bolha financeira realmente é — e por que essa em particular é diferente

Existe uma imprecisão recorrente na forma como o mercado usa o termo "bolha". Ele é evocado com frequência excessiva para descrever qualquer ativo valorizado, o que acaba banalizando o conceito e reduzindo o alerta. Kobori é preciso na definição: uma bolha financeira se forma quando o mercado passa a atribuir a ativos um valor muito superior à sua capacidade real de gerar caixa no futuro. Quando a euforia supera os fundamentos, o preço deixa de refletir realidade e passa a refletir esperança — e esperança, sozinha, não paga dividendo.


Pelo critério técnico mais rigoroso disponível, o mercado de ações norte-americano já está nesse território. O índice CAPE, desenvolvido pelo economista Robert Shiller para medir a sobrevalorização de ativos em relação à média de lucros ajustada pela inflação da última década, está atualmente na casa de 40 — um nível que, historicamente, não se resolve de forma gradual e ordeira.


A especificidade desta bolha — o que a torna potencialmente mais perigosa do que as anteriores — está na sua capilaridade. Como os investimentos privados em IA estão espalhados por fundos globais de diferentes naturezas, o impacto de uma ruptura pode se propagar pelo sistema financeiro internacional com uma velocidade e uma amplitude que os modelos de risco convencionais não estão capturando. "Existe uma previsão de que essa contaminação sistêmica pode ser até pior que 2008", afirmou Kobori.


O "Efeito Nvidia" e a ilusão do ecossistema

Kobori utiliza uma analogia histórica que é ao mesmo tempo simples e devastadora: na corrida do ouro californiana do século XIX, quem ficou rico de verdade não foi quem faiscou, mas quem vendeu as pás.

No contexto atual, a Nvidia é a vendedora de pás. Seus lucros são reais, sua geração de caixa é tangível e seus números resistem ao escrutínio mais rigoroso. O problema — e é um problema de proporções sistêmicas — é o que está ao redor dela.


Empresas e investidores, movidos pelo medo de ficarem para trás, estão injetando capital massivo em um ecossistema cujas bases ainda são frágeis e cujo retorno sobre o investimento permanece incerto. Centenas de startups e companhias de tecnologia estão sendo precificadas em múltiplos astronômicos, sustentados não por fluxo de caixa presente, mas por promessas de produtividade futura que, na avaliação de Kobori, podem não se materializar na velocidade que o mercado está assumindo.


Sem as chamadas "sete magníficas" — as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos —, o índice S&P 500 estaria praticamente estável. Essa concentração extrema de valorização é precisamente o padrão que Kobori compara à Grande Depressão de 1929: um mercado que sobe de escada e, quando o gatilho é acionado, desce de elevador — rápido, desordenado e irreversível para quem estava alavancado.


O iene como detonador silencioso

Se a bolha da IA é o combustível, o carry trade do iene é o pavio. E esse é o ponto da análise de Kobori que merece atenção redobrada dos investidores brasileiros — porque conecta o distante ao doméstico de forma direta.

Por décadas, o Japão manteve juros próximos de zero, transformando-se em uma das principais fontes de liquidez global. Investidores tomavam dinheiro barato em iene para aplicar em mercados com maior retorno — estratégia conhecida como carry trade. Com a mudança de postura do Banco do Japão, que encerrou em 2024 um dos maiores programas de estímulo monetário do mundo e passou a elevar juros gradualmente, esse mecanismo começa a se inverter.


A reversão do carry trade não é abstrata. Em agosto de 2024, quando o Banco do Japão surpreendeu os mercados com uma alta de juros inesperada, o Nikkei 225 caiu mais de 12% em um único dia, enquanto o S&P 500 recuou cerca de 6% ao longo de poucos dias. Foi um ensaio. A escala potencial de uma reversão mais ampla é significativamente maior.


Estimativas de casas de análise globais apontam que o volume pendente de contratos a termo de iene mantidos por fundos de hedge e empresas de negociação alcança dezenas de trilhões de ienes. Quando esse volume começa a se desfazer de forma desordenada — como acontece invariavelmente em momentos de estresse sistêmico — os efeitos se propagam por bolsas, títulos e moedas em cadeia. O Brasil, com uma das maiores taxas de juros reais do mundo, é um destino privilegiado desse capital — e, portanto, um dos primeiros a sentir o refluxo quando a maré vira.


Os EUA: dobrando a aposta com dinheiro que não têm

O terceiro vetor da análise de Kobori é o mais politicamente delicado — e o mais estruturalmente preocupante. Washington, segundo ele, estaria tentando prolongar a bolha ao pressionar por juros menores e ao incentivar ativamente novos investimentos em inteligência artificial. "O capitalismo nunca recua. Ele sempre dobra a aposta", disse o economista.


A dependência da economia real dos EUA em relação aos investimentos em IA é o dado mais revelador desse diagnóstico. Parte expressiva do crescimento recente do PIB norte-americano estaria ligada a investimentos em hardware, software e infraestrutura para inteligência artificial, enquanto a economia real permaneceria praticamente estagnada. Kobori aponta ainda os vínculos crescentes entre o ecossistema de IA e o complexo militar-industrial — citando a Palantir como exemplo emblemático dessa convergência. Quando o motor artificial para, o que resta?


Brasil: vulnerável, mas não sem saída

Para o investidor brasileiro, a distância geográfica não oferece proteção real. Os canais de transmissão de uma crise sistêmica global são conhecidos e rápidos: fuga de capitais, desvalorização do real, encarecimento do crédito e pressão inflacionária importada.

Kobori defende que, diante de um choque dessa magnitude, o Brasil precisaria combinar queda de juros com expansão do gasto público direcionado — e critica as amarras do arcabouço fiscal atual como instrumentos inadequados para responder a emergências de escala global. É uma posição que divide economistas, mas o próprio debate sobre os limites do arcabouço em momentos de crise já é, por si só, um sinal de que o cenário deixou de ser hipótese e passou a ser variável de planejamento.


O momento é de cautela — e de lucidez

Bolhas financeiras têm uma característica que as torna especialmente traiçoeiras: elas parecem sustentáveis até o exato momento em que deixam de ser. O mercado não anuncia o fim da euforia com antecedência. Ele simplesmente para de subir — e então cai.

Para o leitor do Blog JI, a palavra de ordem não é pânico — é sobriedade. Diversifique em ativos descorrelacionados. Reduza exposição alavancada em setores dependentes da narrativa da IA sem geração de caixa comprovada. Preserve liquidez. E, acima de tudo, lembre-se de que a história do capitalismo financeirizado é uma sequência de ciclos — e que reconhecer a fase do ciclo em que se está é o primeiro e mais valioso ato de gestão de risco.

O aviso está dado. A escolha de ouvi-lo, como sempre, é de cada um.


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LEITURA RECOMENDADA

LIVRO: "A Derrota do Ocidente" – Autor: Emmanuel Todd

Por que ler? Todd enxerga onde outros preferem não olhar. Nesta obra densa e provocadora — citada pelo próprio Kobori —, o antropólogo e historiador francês desmonta a narrativa de superioridade estrutural das potências ocidentais e demonstra como o declínio das suas bases sociais, educacionais e industriais fragiliza o próprio sistema financeiro que elas sustentam. Num momento em que a economia real dos EUA caminha sobre os ombros de uma narrativa tecnológica ainda não comprovada, entender a decadência estrutural do Ocidente é entender os fundamentos reais do risco que o mercado ainda se recusa a precificar

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