O Voo dos FIIs: O Que Aconteceu em 2025 e o Guia para Surfar em 2026

CARLOS CARVALHO

Da volatilidade extrema às máximas históricas: entenda por que os Fundos Imobiliários voltaram ao radar e como se blindar para o ano eleitoral.
Se o início de 2025 foi marcado pelo medo, o encerramento do ano é de celebração para quem manteve a disciplina. O mercado de Fundos Imobiliários (FIIs) viveu uma verdadeira montanha-russa, provando que, na economia, o ruído costuma esconder as melhores oportunidades.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, traz uma retrospectiva vital para o investidor iniciante e projeta o que esperar de um 2026 que promete ser intenso, mas repleto de gatilhos positivos.
1. Retrospectiva 2025: O Ano da Transição
O ano começou sob nuvens pesadas. Incertezas fiscais no Brasil, a eleição de Donald Trump nos EUA e o temor de taxação dos dividendos derrubaram o IFIX (o índice dos FIIs) no primeiro semestre.
- O Estresse: O mercado chegou a projetar uma Selic de 16%, empurrando os preços dos fundos para baixo.
- A Virada: No segundo semestre, o cenário clareou. A inflação deu sinais benignos, o discurso de taxação perdeu força e, em setembro, o corte de juros nos EUA serviu como o grande gatilho global.
- O Resultado: O IFIX encerrou 2025 batendo recordes históricos, com altas acumuladas superiores a 18% no ano e 25% em 12 meses.
2. O Cenário Global para 2026: Estabilidade e Acordos
Diferente do turbilhão do ano anterior, 2026 entra com uma perspectiva global mais "pé no chão":
- Trégua Comercial: Acordos entre potências (como EUA e China) trazem previsibilidade.
- Desinflação Global: Com commodities estáveis e juros caindo em diversos países, o fluxo de capital tende a buscar mercados emergentes como o Brasil.
- Tecnologia e Energia: A maturação de investimentos em IA e transição energética pode gerar um choque positivo de produtividade.
3. Brasil 2026: O Gatilho da Selic e o Ruído Eleitoral
Para o investidor de FIIs, o "Santo Graal" é a queda da taxa Selic. A expectativa é que o ciclo de cortes no Brasil ganhe força a partir de março de 2026.
Atenção ao Tabuleiro Político: 2026 é ano de eleição, o que significa volatilidade garantida. O mercado pode se comportar de duas formas:
- Modelo 2014: Alta euforia baseada em pesquisas eleitorais que sugiram mudanças econômicas.
- Modelo 2022: Muita oscilação para terminar o ano "no zero a zero", mas criando janelas de oportunidade para quem tem caixa.
Regra de Ouro: Não monte sua estratégia baseada em pesquisas eleitorais. O ruído político gera irracionalidade no preço, mas não altera o fundamento do tijolo ou do crédito de um bom fundo.
Conclusão: Posicionamento Antecipado
O investidor que espera a Selic cair para comprar FIIs geralmente chega atrasado e paga mais caro. 2026 será um ano para quem entende que volatilidade não é perda de valor, mas sim uma liquidação temporária. Mantenha o foco no longo prazo, ignore os ruídos de curto prazo e aproveite o fechamento da curva de juros para consolidar sua renda passiva.
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