🚨 ALERTA! Em 2027, Não Vai Sobrar Um Real no Orçamento Federal. E Ninguém em Brasília Quer Falar Sobre Isso

CARLOS CARVALHO

17 Anos de Poder e Uma Conta de R$ 10 Trilhões. Quem Vai Pagar?
R$ 10 trilhões de dívida. Selic a 15%. Déficit que se alimenta sozinho. A aritmética não tem partido. Ela só tem paciência — e essa paciência está acabando.
R$ 10 trilhões!!!
Escreve-se rápido. Compreende-se mal. E administra-se, neste momento, muito pior do que qualquer um em Brasília admite publicamente.
Ao fechar 2025, a dívida bruta do governo — União, INSS, estados, municípios, tudo junto — chegou a R$ 10,017 trilhões, segundo o próprio Banco Central. São 78,7% do PIB. No padrão do FMI, que inclui os títulos na carteira do BC, o número já passa de 93%. Para 2026, o Tesouro Nacional projeta 83,6%. A Instituição Fiscal Independente do Senado vai mais longe: 124,9% do PIB até 2035.
Não são projeções de oposicionistas. São as contas do próprio governo.
Tem uma pergunta que ninguém no Executivo gosta de responder com dados. Apenas com narrativa. A pergunta é simples: onde foi parar o dinheiro?
O Brasil arrecadou, em 2024, R$ 2,7 trilhões — recorde histórico absoluto. Alta de 9,5% sobre o ano anterior. E mesmo assim não conseguiu zerar o déficit. O país cresceu mais de 3% ao ano desde 2021 e ainda saiu de 2025 com R$ 55 bilhões no vermelho. Pior: a conta de juros da dívida consumiu sozinha R$ 1 trilhão no ano. Sete vírgula noventa e um por cento do PIB — só em juros.
Arrecadação recorde. Crescimento real. Déficit persistente.
Isso não é azar. É estrutura. E estrutura não se resolve com decreto.
O mecanismo é quase elegante na sua perversidade, dá até vontade de admirar.
Quanto mais o Estado gasta além do que arrecada, mais precisa se financiar. Quanto mais se financia, mais sobe o custo dessa dívida. A Selic está a 15% ao ano — o maior nível desde julho de 2006, para quem não se lembra. E como boa parte da dívida pública é corrigida pela Selic, a conta de juros cresce junto, automaticamente, sem que ninguém precise aprovar nada no Congresso.
É uma espiral. E ela já começou.
A IFI do Senado já fez a conta e avisou sem rodeios: em 2027, cem por cento da receita disponível do orçamento federal estará comprometida com despesas obrigatórias. Não sobra margem para nada. Nem para escola, nem para estrada, nem para compra de remédio no SUS. Zero de margem discricionária.
Chama-se dominância fiscal.
É quando a dívida cresce rápido demais, a política monetária perde o efeito e a inflação vira, na prática, o único imposto que ainda cabe. O Estado se financia destruindo o poder de compra de quem trabalha, poupa e paga nota fiscal.
Dos últimos 24 anos, o PT governou o Brasil por 17. Oito de Lula, seis de Dilma, três do mandato atual. Só para não haver dúvida aritmética.
No mundo corporativo — e qualquer executivo sabe disso —, quando uma empresa tem o mesmo modelo de gestão por quase duas décadas e chega tecnicamente insolvente, ninguém culpa o câmbio. Ninguém culpa a taxa de juros internacional. Culpa-se quem tomou as decisões. No Brasil, o argumento favorito é sempre externo. O ministro Haddad, por exemplo, atribui a alta da dívida essencialmente aos juros elevados — não ao déficit. Como se a Selic tivesse subido por maldade do Banco Central, e não como resposta direta a uma política fiscal que o mercado inteiro lê como insustentável.
A Selic alta é consequência. A causa está no Orçamento. Isso não é opinião — é a lógica de qualquer manual de macroeconomia, inclusive os que foram escritos por pessoas que hoje estão no governo.
Tem um número que ilumina tudo com uma clareza quase brutal.
Os gastos com juros da dívida em 2025 foram de R$ 1 trilhão. O orçamento federal de saúde em 2025 foi de R$ 245 bilhões. Ou seja: a conta de juros de um único ano equivale a mais de quatro orçamentos completos da saúde pública brasileira.
Quatro vezes a saúde do país — para pagar só os juros de uma dívida que continua crescendo no dia seguinte.
Parece ter certeza de que tudo vai dar certo. Para quem, exatamente?
O problema vai além do fiscal. É sistêmico — e foi construído assim, peça por peça.
Mais de 90 tipos de tributos diferentes no país. Empresas brasileiras gastam 2.600 horas por ano apenas para cumprir obrigações fiscais — enquanto a média mundial é de 200 horas. É um imposto invisível sobre produtividade, disfarçado de complexidade. Quase metade do orçamento federal está travada em folha e aposentadorias antes mesmo de começar o ano. Reformas que mexem com contribuintes comuns — aprovadas com velocidade. Reformas que tocam em privilégios de categorias específicas, subsídios setoriais ou benesses corporativas — barradas preventivamente, às vezes antes mesmo de chegar ao plenário.
O Estado foi capturado por si mesmo.
É a definição mais precisa possível do que acontece em Brasília neste momento. Qualquer medida que corrija o desequilíbrio atinge exatamente quem teria de aprová-la. Não é conspiração — é incentivo. E incentivo, na política, vale mais do que boa intenção.
Vai ter quem diga que o Brasil não está em crise. Que os números, embora feios, ainda são administráveis. Que já estivemos piores em 2020, com 87,6% do PIB de dívida durante a pandemia.
Tudo verdade.
Mas esse argumento confunde estar na beira do precipício com já ter caído. A trajetória está dada. O ritmo está acelerado. E as medidas necessárias para inverter o curso contradizem décadas de narrativa política construída com muito cuidado — e muito gasto público. Fazer o ajuste real exigiria cortar o que nunca se quis cortar. Reformar o que sempre foi blindado. E dizer à base eleitoral, sem eufemismo, o que ela não está nem um pouco disposta a ouvir.
Por isso não será feito agora. E por isso a conta de 2027 será maior do que a de 2025. Muito maior.
A matemática não tem partido. Não vota, não faz aliança, não aparece em rede nacional para explicar o contexto.
Ela só apresenta o resultado da soma.
E a soma, neste momento, é esta: R$ 10 trilhões em dívida crescendo num ritmo que nem arrecadação recorde consegue conter, sustentada por juros que devoram o equivalente a quatro orçamentos da saúde em um único ano, dentro de um sistema construído — conscientemente ou não, pouco importa — para não se reformar.
Quando o colapso chegar, haverá surpresa performática em Brasília. Discursos. Comissões. Culpados externos.
A aritmética, porém, não vai fingir que não avisou.
Há anos.
- Fontes: Banco Central do Brasil, Tesouro Nacional, Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI), Lei Orçamentária Anual 2025 e Fundo Monetário Internacional (FMI).
👇🏼👇🏼👇🏼
LEITURA RECOMENDADA
LIVRO: "A Crise Fiscal e Monetária Brasileira” por Edmar Bacha.
Por que vale a pena ler? Expressões como "pedaladas fiscais", "dominância fiscal" e "monetização da dívida" deixaram de ser jargão de especialista e entraram de vez no vocabulário de quem acompanha o Brasil. Mas o que elas significam de verdade — e o que revelam sobre a estrutura profunda das nossas contas públicas?
Este livro, organizado pelo economista Edmar Bacha, reúne alguns dos maiores nomes da política econômica brasileira recente: Fernando Henrique Cardoso, André Lara Resende, Armínio Fraga, Fabio Giambiagi e Pedro Malan, entre outros. Juntos, eles desmontam, com rigor e linguagem acessível, os mecanismos que levam um país a gastar mais do que arrecada — e por que esse caminho tem um destino conhecido.
Leitura obrigatória para quem quer entender não apenas o que os números do artigo acima significam, mas por que eles chegaram até aqui.
👇🏼👇🏼👇🏼
👉 Clique aqui para acessar o livro na Amazon
Gostou deste conteúdo? 🚀
Compartilhe e ajude mais pessoas a conquistarem a liberdade financeira!

Jornada do Investidor
Nossa missão é democratizar o acesso à educação financeira, trazendo conteúdos práticos e diretos para quem quer começar a investir e organizar suas finanças.
Conheça o autor →



